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fics padackles
desocupadééérrima
drikadas
Pois é... voltei a escrever fics. ><"

Supernatural me pegou de vez. Jensen e Jared, então! Filhos da mãe gostosos que não me saem da cabeça e ficam instigando meu cérebro slash adormecido pelo trabalho a escrever fics!

Admito: sucumbi. Não resisti e aqui estou com fics Padackles. Fazer o quê, eles estavam implorando para saírem do armário assim, né? ^^"

Avisos: Não é uma fic só. São várias fics pequenas que tratam do mesmo universo, mas que poderão facilmente serem lidas individualmente (assim espero). Elas não estão em ordem cronológica e nunca vão estar. Tem algumas que são fluffy, outras angst, outras nc-17... os avisos aparecerão antes, não se preocupe. Não faço death-fic, não faço m-preg com rps e não faço final triste. Todo mundo vive feliz para sempre comigo. ;)
Pares: Jared/vários, Jensen/vários, Jared/Jensen

Título: Ele nunca achou estranho...
Autora: Adriana Adurens
Nessa fic: R



Foi durante as filmagens de Dead Man’s Blood. Jared sentia ânsias de cavar um buraco e enterrar-se vivo, tal a vergonha que lhe dominava toda a vez que se lembrava daqueles dias. Mas, segundo Jensen, cavar um buraco para enterrar “todo ele” era trabalhoso demais, mais fácil era viver com a vergonha.

E, de novo segundo Jensen, viver com a vergonha não era nenhuma novidade na vida de Jared.

Tudo começou quando Jared descobriu que Jensen preferia homens mais velhos. Aquilo o intrigou de tal forma que ele não conseguia olhar para o colega e pensar em outra coisa. Claro, na mente dele, Jared imaginava Jensen fazendo de tudo com um senhor de oitenta anos sentado em uma cadeira de rodas.

Jared nunca parou para pensar que ele imaginava tudo isso e nunca achava nojento. A parte do velhinho de oitenta anos era meio estranha, mas a parte do Jensen não era. Nem um pouco. E o velhinho existia, apesar de Jared saber que os homens mais velhos de Jensen não eram tão mais velhos assim.

Eram como Jeffrey Dean Morgan.

Somente doze anos mais velho. Fosse Jensen mais novo, qualquer um poderia considerar Jeff um pedófilo num piscar de olhos. Mas o loiro já estava com vinte e oito anos, um adulto responsável e ciente de suas decisões perante a própria vida. Perante o próprio corpo.

Mesmo assim, Jared mal conseguia conter sua vontade de ligar para um serviço de disk denúncia contra pedófilos.

No começo, eles eram só colegas. Jared e Jensen adoraram Jeffrey. Um cara realmente divertido, profissional, boa gente com todo mundo, um adicional mais que bem vindo à rotina de gravações. Os três rapidamente se tornaram bons amigos e em poucos dias estavam saindo para beberem juntos no final do dia – ou no começo do dia, dependendo de quando terminavam as filmagens.

Um dia, Jared tinha que chegar mais cedo no estúdio para uma cena entre Sam e John. E Jensen estava lá acompanhando.

Não que Jensen nunca o acompanhasse em cenas onde o Dean não aparecia, mas quando isso acontecia, ele vinha acompanhado pelo Jensen. No sentindo de vir andando do trailer até o cenário, conversando distraidamente com ele. Com Jared.

Até hoje, Jared não consegue explicar, nem para si mesmo, o que foi que ele sentiu quando viu Jensen saindo do trailer de Jeffrey – com o Jeffrey – rindo, escutando alguma história que o outro contava animadamente em uma voz ligeiramente mais baixa, como querendo manter a conversa somente entre os dois.

E, a partir daquele dia, não era mais Jeffrey. Era Jeff.

Jeff. Nosso amigo Jeff.

Claro, Jared se viu na obrigação de chamá-lo pelo apelido, do contrário, como entender que o ator mais velho tinha mais a simpatia de uma parte do que da outra?

Jared também nunca desconfiou quando imaginava ele e Jensen como “partes” de algo inteiro.

Jensen nunca deu motivo algum para que Jared desconfiasse que existisse realmente algo mais entre ele e Jeff. Mas Jeff parecia querer exibir todos os motivos do mundo para que ele desconfiasse que, sim, existia alguma coisa.

Jared achava que Jeffrey tinha sempre um olhar sacana voltado para Jensen. Jared achava que Jeffrey tinha sempre alguma razão besta – como camaradagem – para tocar no ombro de Jensen. Jared achava que Jeffrey gostava demais, muito demais, de apertar a nuca de Jensen. Jared, principalmente, achava uma afronta Jeffrey ser mais alto que Jensen e se achar no direito de jogar o braço pelos ombros do outro, algo que Jared se orgulhava até então de ser o único a poder fazer o gesto com tamanha destreza e maestria.

Se fosse sincero consigo mesmo, Jared admitiria que essa última seria a razão de várias fotos dos eventos seguintes com a mídia serem tão parecidas: com ele e seu braço gigante segurando Jensen possessivamente. Com um sorriso triunfante no rosto, claro.

Por essas e outras que Jared adorou fazer a cena em que Sam enfrenta John. Ah, ele deu tudo de si. Tanto que Jensen não conseguiu separá-lo do casaco do “John” na deixa dele.

“Eu disse parem! Parem! Parem! Já chega!”, Jensen gritou exigindo espaço entre os dois atores. Depois de alguns segundos tentando em vão forçar a separação, ele suspirou, a fisionomia “Dean” desaparecendo completamente e um sorriso divertido surgindo no seu rosto, “Gente... tem muito amor aqui, vocês vão ter que relaxar e me ajudar.”

Só então, Jared percebeu que ainda agarrava o casaco de Jeffrey e – ainda – rosnava para ele.

Jeff foi o primeiro a rir, dando tapinhas amigáveis no peito dele, “Quem diria, hein? Ele não pode com nós dois.”

Jensen bufou fingindo indignação antes que Jared pudesse responder à provocação de forma mal educada. Mais calmo, ele preferiu focar no amigo, “Desculpa, eu...”

“Nah... você estava ótimo.”, Jensen sorriu de lado, “Completamente dentro da personagem, foi demais.”

Tom, o diretor, também adorou o ódio incontido de Sam e disse que iria fazer somente mais uma tomada para que Dean conseguisse separar o irmão do pai, mas que provavelmente usaria a original.

Na segunda vez, Jared tomou o cuidado de soltar o casaco na hora certa, sem antes empurrar com força contra o peito de Jeffrey. Pequeno detalhe que ainda obrigou Jensen a lutar contra os dois, deixando-o mais ofegante que o necessário, mas Tom disse que gostou e eles continuaram rodando.

No final do dia, Jeffrey foi procurá-lo no trailer.

“Jensen estava certo... você estava demais naquela cena.”, ele disse, apoiando o corpo contra um dos armários embutidos. Com dois homens altos e grandes dentro de um trailer minúsculo, era preciso boa vontade de ambos até mesmo para que o ar circulasse melhor.

“Você também.”

“Foi uma cena bem intensa.”, ele disse, massageando o local entre o peito e o ombro, sorrindo sem graça, “Vou prestar mais atenção quando Sam e John se enfrentarem novamente.”

Jared não estava muito disposto a conversar, então, para ser direto, ele encarou Jeffrey nos olhos e disse, sério, “Seria uma boa idéia.”

Jeffrey tomou uma postura igualmente séria e os dois ficaram em silêncio por alguns segundos até Jensen abrir a porta, com um sorriso despreocupado, “Jay, você-- Oh. Jeff, você...”, a voz e o sorriso sumiram quando ele percebeu o clima tenso, “Er... tudo certo por aqui?”

“Tudo ótimo, Jen.”, Jeffrey disse com um sorriso mais falso que de ator de novela mexicana, e Jared simplesmente quis sufocá-lo com as próprias mãos quando ouviu o apelido sair da boca dele.

Antes que pudesse ser assassinado, Jeffrey pediu licença e saiu rapidamente do trailer. Jensen subiu o resto dos degraus e fechou a porta atrás de si, trancando-a.

Jared ainda estava guardando sua raiva pela ousadia do outro em vir afrontá-lo depois das filmagens e não percebeu quando Jensen se aproximou dele com a mão estendida e bateu com força contra sua testa.

“Muito bem, o que você fez?”

“Eu?”

O loiro estreitou os olhos e deu outro tapa na testa, já vermelha, “Eu te conheço bem o suficiente para saber que você apronta, Jay. Apronta sem nem perceber.”

“Nada! Eu não fiz nada!”, ele respondeu, mantendo a mão na testa contra possíveis ataques futuros, “Ele que começou com--"

Suspirando, Jensen o interrompeu, falando devagar, “Ok. Então, no que você estava pensando?”

Jared não sabia como negar uma resposta ao amigo quando ele fazia aquela cara. Era uma expressão que prometia muita dor, solidão e cerveja quente nos próximos meses de vida. Seus últimos meses de vida. Mas, ao mesmo tempo, ao pensar na explicação mais razoável e plausível que pudesse, Jared percebeu o quanto se envergonhava da suspeita que tinha contra os dois atores.

Sentando-se pesadamente no sofá estreito do trailer, Jared tampou o rosto com as mãos, gruindo entre os dedos, “Por que você prefere homens mais velhos?”

Jared não pode ver, mas a expressão no rosto de Jensen mudou drasticamente. Surpreso, ele piscou algumas vezes, como se tentasse decifrar o que o amigo tinha acabado de perguntar, até que, com um suspiro, ele respondeu, “Eu não prefiro homens mais velhos...”, ele sentou-se na pequena mesa instalada em frente ao sofá, “Eu apenas... é que é mais seguro ficar com eles do que com os mais novos.”

Essa não era a resposta que Jared esperava e ele ergueu o rosto, mais intrigado do que confuso, “Como assim? Você está falando de...”, ele sentiu o calor queimar todo seu pescoço e só imaginou que linda tonalidade de vermelho estava ficando, “Você quer dizer... sexo seguro?”

Os olhos de Jensen arregalaram assustados e novamente ele piscou algumas vezes, desconfortável com o rumo da conversa, “Jared, sexo seguro se faz com camisinha, não com a idade de alguém.”, ele disse, também ficando vermelho a cada segundo, “Na verdade... caras mais novos do que eu estão sempre a procura de fama. Bem, pelo menos, na grande maioria das vezes. Os mais velhos não... eles...”

Jared continuou em um silêncio respeitoso, quase religioso, inclinando a cabeça levemente, para ouvir melhor.

Jensen bufou, infando as bochechas, impaciente, “Jared.”, e inspirou profundamente, “Jay, eu não fico com qualquer um.”, ele respondeu por fim, franzindo o cenho, “Eu tenho plena noção do perigo que é pra minha carreira ser pego em um relacionamento com outro cara. Por isso, eu... Deus! Não acredito que estou falando isso pra você!”, ele rolou os olhos, rindo de lado, visivelmente mais calmo depois do pequeno exercício de inspiração e expiração, “Eu sou muito chato pra escolher. Não fico com ninguém que eu desconfie que esteja apenas atrás de quinze minutos de fama às minhas custas. Por isso eu dou preferência para homens mais velhos que não estejam ligados à industria do entretenimento.”

Isso chamou, e muito, a atenção de Jared, que não conseguiu deixar de sorrir, “Espera um pouco... isso quer dizer que você não sai com atores?”

Jensen fez uma careta, “Mas é claro! É uma das minhas primeiras regras.”, e ele arregalou os olhos novamente, “Não me diga que você... Jared! Você--!”

Não, ele não viu o tapa, apenas sentiu, “Desculpa! Desculpa! É que ele estava se aproximando demais e você disse que preferia homens mais velhos e eu não sabia mais o que pensar!”, ele defendeu-se, falando rapidamente, colocando os braços acima da cabeça para se proteger.

“Jared...”

Ele abaixou os braços, achando que preferia o tapa ao tom decepcionado na voz do amigo, “Desculpa...”

Jensen levantou-se, balançando a cabeça, “Você alguma vez prestou atenção nas conversas que a gente teve com ele? Ou ficou só imaginando coisas e histórias que não lhe dizem respeito?”

Jared tentou não recuar diante da bronca, apesar de achar que tinha todo o direito em tratar os relacionamentos do amigo como algo que lhe dizia respeito.

“Jeff está sofrendo com um relacionamento instável com outra atriz.”, Jensen continuou, “Aquela tal de Mary-Louise. Jared... ele comentou isso com a gente já faz algum tempo e você nem sequer prestou atenção?”

“Desculpa...”, ele sussurrou, cada vez mais se dando conta do papelão que fez, “Amanhã mesmo eu vou conversar com o Jeffrey e explicar tudo.”

Então, aconteceu o que Jared menos esperava, mas o que ele mais precisava no momento: Jensen sorriu, dando tapinhas leves no ombro dele.

“É claro que vai, seu besta. E ele vai entender, você vai ver...”

E aquele simples sorriso fez com que o peso da vergonha se aliviasse na sua consciência e Jared pensou que, se Jen estava sorrindo, não poderia ser tão ruim assim. Se Jen ainda sorria para ele, tudo ainda estava muito bem, obrigado.

No dia seguinte, antes mesmo de ir para a maquiagem, Jared foi até o trailer de Jeffrey e tentou explicar a situação, envergonhado e vermelho até a ponta dos dedos dos pés.

Para a sua imensa sorte, Jeff – agora era Jeff de verdade até pra ele – era muito mais do que um cara divertido, profissional e boa gente. Ele simplesmente deu risada, muita risada, da história toda e disse que tudo eram águas passadas.

Quando Jensen viu os dois conversando em um clima descontraído, esperando o cenário ficar pronto para gravarem, ele relaxou e cumprimentou os amigos como se nada tivesse acontecido.

Jared queria se controlar e não comparar, mas... que se dane, pensou ele passando o braço pelos ombros de Jensen e permanecendo lá por mais tempo do que o necessário.

Ele ainda era o mestre nisso.

Fim





Título: 1,93m?!
Autora: Adriana Adurens
Nesta fic: PG



“Jared Pa... Pa-o quê mesmo?”

Jensen franziu o cenho, tentando lembrar-se do nome do cara que seria seu colega no novo seriado. Desistindo de buscar na memória, ele esticou o braço até alcançar a carteira.

Seu agente tinha lhe telefonado naquela manhã, enquanto ele estava fazendo compras e ele, na pressa, pegou a nota fiscal oferecida pelo caixa do supermercado e rabiscou as informações passadas: tudo confirmado, reunião com produtores na sexta, com o autor e alguns escritores no sábado de manhã e outra com o ator do Sam no sábado de tarde.

“Qual é o nome dele mesmo?”, ele perguntou, com o celular preso entre a orelha e o ombro, enquanto tentava pegar suas sacolas e liberar o caminho para outro cliente.

“Jared... Hmmm...”, ele escutou o farfalhar de alguns papéis, “Aqui: Jared Padalecki.”

“Pada o quê?”, ele parou, antes de sair do supermercado, caminhando até um estande de suco de frutas e apoiando a nota fiscal no balcão, “Tem como soletrar isso?”

Jensen retirou a nota fiscal da carteira, desamassando-a e tentando identificar o próprio garrancho, “Pa-da-le-cki.”, ele sussurrou enquanto digitava o nome no teclado e esperou o google fazer o que melhor sabe.

Quando abriu a página imdb, uma foto em preto e branco de um garoto com um sorriso discreto e de olhos estreitos foi a primeira coisa que reparou.

“Nossa, um adolescente saído das fraldas.”, ele riu baixinho, procurando as outras informações disponíveis.

Descobriu que Jared não era tão adolescente assim: tinha apenas quatro anos a menos do que ele. Era texano como ele e já tinha trabalhado no seriado Gilmore Girls.

“O quê? 1,93m?”, Jensen arregalou os olhos espantado, não acreditando que o seu “irmãozinho” seria mais alto do que ele.

“O que tem 1,93, Jen?”, uma voz cansada disse atrás dele.

Jensen fechou o navegador e desligou o monitor, girando a cadeira onde estava sentado para a cama, sorrindo sem graça, “Desculpa... te acordei?”

Mackenzie ainda estava de olhos fechados, com o cabelo todo desgrenhado e colado contra o rosto amassado de sono, “Hm-hmm...”, ela grunhiu, erguendo uma mão e fazendo um movimento preguiçoso, chamando o irmão para a cama.

Jensen ergueu-se e sentou-se ao lado dela, passando os dedos pelo cabelo loiro, “Eu recebi uma informação do meu agente e não consegui esperar você acordar para usar a internet.”

O único computador da casa dos Ackles ficava no quarto de Mackenzie, por pura conveniência, já que era ela que o utilizava com mais freqüência. Ela nunca se incomodou com os irmãos ou os pais entrando no quarto para uma pesquisa rápida e Jensen sabia que não tinha problema em usar a internet enquanto ela estivesse dormindo, só não queria ter acordado a irmã.

“Hmm...”, ela disse, enquanto erguia a cabeça levemente, para logo depois apoiá-la no colo do irmão, trazendo todo o lençol junto com ela, “Eu adoro que você tenha conseguido um novo emprego e tal...”

Jensen sorriu, acostumado com a preguiça da irmã ao acordar, pois ele tinha os mesmos hábitos.

“Mas... eu gosto mais quando você não precisa fazer nada a não ser ficar aqui com a gente.”

“Seu terapeuta sabe desse seu lado mimado?”

Mackenzie apenas sorriu, espreguiçando-se contra o irmão, “Ele sabe quem é o maior culpado.”, o corpo dela relaxou novamente e parecia até que ela iria voltar a dormir, quando a voz sufocada pelo travesseiro soou, tristonha, “Você vai embora, então?”

“Amanhã de manhã.”

“Hmm... você vai sofrer, Jenny.”, ela virou o rosto contra a perna dele, mordendo a coxa coberta pelo jeans.

“Mack!”, ele protestou, rindo, jogando a irmã contra o colchão e recebendo uma travesseirada como resposta.

Quando o travesseiro caiu, Mackenzie estava sentada no meio da cama, abraçando os joelhos e rindo como a adolescente que era, de repente, a expressão dela mudou da água para o vinho, fazendo um bico e ameaçando chorar a qualquer instante. Jensen sabia que era só brincadeira, mas ela fazia com tanta perfeição que ele tinha dúvidas em achar se ele era o único filho que puxou os genes de ator do pai.

“Abandonar a irmã assim, sem mais nem menos, tem um preço, Jenny.”, ela disse, entre uma fungada e outra, “Você vai encontrar um ator gostosão lá em LA, vai ver só.”

Jensen ergueu uma sobrancelha, “Sério? Essa vai ser minha punição? Acho que ainda posso pegar o vôo para hoje de tarde, então!”

“É... mas o gostosão vai ser hétero.”

Fingindo indignação, ele arregalou os olhos, engolindo em seco, “Isso é cruel, irmãzinha, muito cruel.”, Jensen suspirou logo depois, dando de ombros, “Mas, também... não seria nenhuma novidade.”

Fim




Título: Paciência
Autora: Adriana Adurens
Nesta fic: NC-17



Era pra ser somente alguns beijos. Ambos estavam atrasados para compromissos diferentes. Quando os compromissos eram os mesmos, a desculpa pelos atrasos geralmente era bem mais aceita – os dois pareciam mais convincentes juntos do que separados, pelo visto. Mas, naquele dia, cada um iria encontrar seu agente em um canto diferente da cidade e eles realmente precisavam ser pontuais.

Mas era difícil pensar em pontualidade com a boca e os braços – e algumas vezes as pernas – atarefados tentando ao máximo cobrir cada pedaço de pele do outro.

“Hmm... Jay.”

Jared achou que respondeu, mas na verdade o que saiu de sua boca foi um grunhido cheio de frustração, motivado pela sua batalha contra a calça jeans de Jensen, que, por uma infelicidade do destino, tinha resolvido colocar um cinto. Um cinto estilo texano que era puro despeito.

“Jay, não...”, Jensen reclamou ao mesmo tempo em que se contorcia contra o amigo. Ele sentiu o celular vibrando contra o bolso de trás da calça e, abrindo os olhos, colocou as duas mãos no peito de Jared, “Agora não dá, estamos atrasados.”

“Só mais um... dois minutos.”, o moreno tentou responder, enquanto tratava de apoiar Jensen contra a parede, soltando finalmente o cinto da calça dele e deixando a roupa cair pesada pelas pernas do loiro, deixando o som do celular abafado embaixo do tecido, “Eu prometo que termino em dois minutos.”

Jensen voltou a fechar os olhos, mordendo o lábio inferior e soltando um gemido sofrido quando as mãos de Jared finalmente encontraram seu membro.

“Deus! Mais um gemido desses e eu termino em trinta segundos!”, Jared murmurou contra o pescoço exposto do loiro, sua mão fazendo uma leve pressão em Jensen toda a vez que outro gemido escapava, conseqüentemente, tornando-o mais longo e sensual.

Ofegante, Jensen lançou o olhar mais sacana e pervertido do mundo, “Eu sabia que você nunca tinha saído da puberdade.”, ele disse sorrindo de lado, enfiando a mão com facilidade dentro da calça larga de Jared e somente – somente! – apoiando-a contra o membro rijo.

“Filho da--", Jared reclamou, mexendo os quadris para que pudesse sentir mais um pouco daqueles dedos e daquela palma quente, “Jen, eu disse dois minutos, não meia hora de tortura!”

Com uma risada estranha, tremendo de prazer, Jensen ergueu a outra mão e enfiou-a atrás de Jared. A mão deliciando-se com o formato arredondado e perfeito do traseiro do moreno e os dedos tentadores, passeando levemente onde as duas faces se encontravam.

“Enfia.”

A ordem sussurrada quase passou despercebida pelo loiro, “Huh?”

“Enfia um dedo... por favor.”

“Jared...”, Jensen murmurou, preocupado, “Não é hora pra isso...”

Jared calou-o com um beijo possessivo, dominando a língua do outro com brutalidade, “Por favor, eu quero.”

Apesar da dúvida estampada nos olhos verdes, Jensen voltou a mexer com a mão no traseiro de Jared, um dedo percorrendo de cima a baixo o caminho, entrando devagar, sem pressionar nada.

“Não dá, Jared...”, Jensen usou a outra mão para fazer um cafuné no amigo, “Acredite em mim, não é a hora e nem o momento.”, ele sorriu piedoso da careta de frustração que o moreno fez.

Jared tinha medo.

O medo era natural. Era o medo da novidade, do desconhecido, do não-resolvido. Jensen aceitava o fato do amigo sentir uma atração por ele e tinha uma paciência enorme com todas as descobertas que ele fazia sobre si mesmo.

Jared sabia que deveria se considerar um grande sortudo por ter alguém como Jensen do lado, mas mesmo a presença e a paciência do amigo não eram o suficiente para eliminar todas as suas dúvidas.

Jared não sabia se era gay. Ele gostava, e muito, de Jensen. Percebeu que o loiro ocupava seus pensamentos e era sua prioridade de uns meses pra cá e, bem... nenhum cara que goza tão bem dentro do melhor amigo pode ainda se considerar hétero.

Mas Jared ainda não estava de bem com o termo gay. Nem com as funções de casal que o termo implicava.

Algumas semanas atrás, ele imaginava estar satisfeito apenas usando as mãos e a boca. Sério. Ele estava tão bem nesse esquema que apostaria dinheiro na sua própria felicidade, crente que um futuro feliz seria a boca de Jensen nele e a mão dele em Jensen.

Até Jensen, ofegante com aqueles lábios entreabertos vermelhos e inchados de tanto beijar e as pernas em uma terrível e provocante situação parecida, dizer que queria sentir Jared dentro dele. Até hoje ele se arrepende de ter estragado aquela imagem tão maravilhosa do amigo, convidativo e ansioso no meio da cama, com o seu medo.

Jensen deixou todo o desejo dele de lado para passar a noite inteira dando uma aula de anatomia básica, das propriedades mágicas do lubrificante e das maravilhas das preliminares. Claro que Jared já sabia de tudo isso. Com um corpo feminino.

Mas Jared nunca tinha feito anal, nem com uma mulher antes. E ele realmente não imaginava como Jensen, ou qualquer outro homem incluindo ele mesmo, pudesse suportar a pressão de um pênis completamente duro e enfiado até-- Não. Ele não conseguia sequer imaginar.

Não importava Jensen dizer que já estava acostumado. Essa era a pior parte, pois além de saber que o ato tão impensável era algo “comum”, era saber que Jensen tinha se “acostumando” com outros homens.

O medo dele, e Jensen sabia disso e garantiu que sentiu-se lisonjeado, não era errar entre as linhas guias, mas errar e machucar o amigo. Jared era maior que Jensen e este, tão firme e forte sempre ao seu lado, parecia desdobrar-se em fragilidade, exposto de forma tão íntima para ele.

Era algo muito pessoal, era um depósito de confiança enorme e Jared não sabia se estava apto para assumir a responsabilidade. Porém, tudo pareceu pequeno perto da expressão de Jensen contorcido na cama e do efeito que seus dedos tinham dentro dele. Jared se viu fascinado com o prazer que proporcionava com apenas dois dedos lambuzados de K-Y e uma leve pressão em um ponto mágico dentro do loiro.

Quando, finalmente, seu membro encaixou-se de forma perfeita dentro do amigo, ele percebeu e aceitou essa nova possibilidade e tratou de explorá-la com afinco todos os dias seguintes. Várias vezes por dia. Com várias posições diferentes. Em vários lugares. E de várias-- bom, deu pra entender.

Mas Jared queria sentir a mesma coisa.

Não porque estava desesperado para ter um pau enfiado no cu. Longe disso.

Jared estava curioso. E com inveja também. Jensen simplesmente derretia e parecia completamente sucumbido ao prazer de ter Jared dentro dele. Aquele ponto mágico do amigo que ele já sabia de cor onde encontrar – mesmo com Jensen vestido e sentado e com Sadie no colo dele, Jared sabia onde o abençoado ponto estava – e os efeitos dele eram uma coisa que Jared gostaria de descobrir nele mesmo.

Mas a única vez em que ele sugeriu isso ao amigo, Jensen, sendo o rapaz caridoso e prestativo que é, foi logo querendo por a missão em prática e Jared simplesmente surtou no meio da cama, estragando – mais uma vez – a noite deles.

Noite esta que terminou com um recorde de pedidos de desculpas proferidas pelos dois: Jared por ter brochado de forma monumental e se achar, com razão, o maior bundão da face da terra e Jensen por não ter percebido antes o quanto o assunto ainda era delicado e não ter tratado o amigo com o cuidado necessário.

Jensen suspirou, sorrindo de lado, “Deus! Eu preciso parar de te mimar!”, ele disse, escapando das mãos de Jared e invertendo as posições na parede, ajoelhando-se em frente ao amigo, “Aprenda como se faz para terminar as coisas em um minuto, Jay.”

Jared mal teve tempo de raciocinar uma resposta, pois a boca de Jensen já estava o engolindo inteiro e – nossa! Nesses momentos ele conseguia apreciar a experiência adquirida do amigo com muito mais imparcialidade.

Quando Jensen ergueu-se novamente, beijando-o longamente ao mesmo tempo em que arrumava a própria calça, Jared se deixou ser conduzido, limpo e arrumado. Jensen finalmente se afastou dele o suficiente para atender o celular já iniciando a conversa com o agente com uma desculpa qualquer.

O celular de Jared escolheu aquele momento para tocar também e ele contou a mesma desculpa que Jensen usou, sem se importar se os agentes pudessem ou não descobrir a mentira.

Os dois saíram juntos, ambos de telefone na orelha, cada qual na direção de seu carro. Jensen desligou primeiro e, já manobrando sua saída da garagem, parou e abaixou o vidro, dizendo com aquela cara de menino-moço inocente freqüentador de igreja dominical, “Jay, prometo que de noite eu enfio quantos dedos você quiser nesse seu cuzinho virgem.”

Naquele dia, Jared chegou mais do que atrasado ao encontro com o agente.

Fim

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Disse isso no chat e volto a repetir: essas fics devem ser colocadas em ordem e completadas para formar uma história em ordem cronológica. De preferência uma longaaaaaaa série, especialmente "Paciência", que PRECISA ser finalizada!! *-*

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